Jejum prolongado promessa rápida ou risco real?

Piethro Stephanno, nutricionista clínico, fala sobre planejamento, acompanhamento e estratégias seguras para a prática
O nutricionista Piethro Stephanno detalha como praticar de forma segura e eficiente, respeitando seu corpo e rotina – Foto: CORTESIA.

O jejum prolongado voltou a chamar atenção nas redes sociais, com promessas de “cura” e resultados rápidos. Apesar da popularidade, cada corpo reage de maneira diferente, e a prática precisa ser feita com cuidado. Estudos indicam que cerca de 40% das pessoas que tentam jejuns prolongados abandonam nos primeiros dias, mostrando como planejamento e acompanhamento profissional são essenciais. Por isso, o jejum não é uma solução milagrosa, mas pode trazer benefícios reais quando aplicado com consciência e equilíbrio.

Para orientar sobre riscos e benefícios, conversamos com Piethro Stephanno, nutricionista clínico que atua com saúde, emagrecimento, comportamento alimentar e performance. Ele desenvolve uma abordagem individualizada, sem extremismos, respeitando a rotina e a história de cada pessoa, ajudando a alinhar a alimentação às metas de forma estratégica e segura.

“O jejum prolongado pode fazer o corpo usar gordura como fonte de energia e, em alguns casos, reduzir marcadores de inflamação, mas não comprova curas milagrosas. No longo prazo, ele não supera uma alimentação equilibrada e planejada, e os resultados dependem da qualidade da dieta, da rotina e do metabolismo de cada pessoa”, disse Piethro.

Grande parte dos efeitos percebidos acontece mais pela redução de calorias e melhora da qualidade da alimentação do que pelo simples tempo prolongado sem comer. Dados da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição mostram que o impacto positivo sobre a saúde metabólica está mais relacionado à qualidade da dieta do que à duração do jejum, reforçando a importância de escolhas nutricionais conscientes.

Além dos efeitos físicos, o jejum prolongado exige atenção à mente. Alterações de humor, irritação, dificuldade de concentração e episódios de compulsão alimentar são sinais de que a estratégia não está adequada. Estudos internacionais indicam que até 25% dos praticantes sem acompanhamento profissional podem desenvolver episódios de compulsão alimentar ou ansiedade relacionada à comida, mostrando que supervisão é essencial.

“Cada pessoa responde de forma única a qualquer estratégia alimentar, e é essencial considerar fatores como rotina, sono, treinos, histórico de saúde e relação com a comida. Sem essa análise individualizada, o jejum pode gerar resultados rápidos, mas não se mantém e pode trazer riscos à saúde. Planejamento e acompanhamento profissional são fundamentais para que a prática seja segura e eficaz”, explicou o nutricionista.

A popularidade do jejum prolongado está ligada à promessa de resultados rápidos, mas a realidade é que o corpo precisa de constância e planejamento . Revisões científicas com mais de 6.500 participantes em 99 ensaios clínicos indicam que estratégias graduais e adaptadas têm maior adesão e manutenção de resultados , enquanto abordagens extremas apresentam maior índice de abandono e efeito sanfona.

“Práticas que prometem resultados rápidos conquistam atenção porque parecem simples, mas ignoram diferenças individuais e podem gerar frustração ou efeito sanfona. Uma nutrição baseada em evidências promove ajustes contínuos, respeita o metabolismo e a rotina de cada pessoa, e mesmo que não seja chamativo, é muito mais seguro, eficaz e capaz de gerar resultados duradouros”, acrescentou Piethro.

Dietas restritivas e jejuns sem supervisão podem aumentar o risco de deficiências nutricionais e transtornos alimentares , especialmente em jovens. Estudos apontam que 30% dos jovens que seguem dietas extremas apresentam carências de micronutrientes e distúrbios alimentares . No Brasil, a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN) e o Ministério da Saúde reforçam que práticas de jejum devem sempre ter acompanhamento profissional .

Integrar alimentação equilibrada, exercícios, sono adequado e atenção à saúde mental é o caminho para resultados consistentes e bem-estar real . O jejum prolongado, quando planejado e individualizado , pode ser uma ferramenta útil, mas nunca deve substituir hábitos saudáveis ​​de longo prazo, com base na ciência e supervisão profissional .

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